O Prefeito de Penedo, Március Beltrão (PDT), completa na quarta-feira (10/4) cem dias à frente do Executivo municipal. Para analisar esse período recheado de simbolismos, o Blog decidiu ouvir algumas personalidades penedenses sobre o assunto. Conversamos com a oposição, com aliados, sindicalistas e comunicadores. Só não foi possível ouvir o cidadão diretamente.

A todos, o Blog fez a mesma pergunta: qual a marca do governo Beltrão nesses cem dias? E quase numa só voz, pasmem, ouvimos como resposta: “o atual governo não tem uma marca. Március ainda não governou até o momento”.

Os representantes da oposição, claro, não poupam críticas. Dizem que faltam objetivos claros para o atual governo e até que Beltrão teme encarar a realidade ribeirinha de frente. Sobre a tão propagada “herança maldita” deixada pelo governo anterior, os questionamentos são muitos. Vão do descrédito ao que vem sendo propagandeado pela equipe do Prefeito à convicção de que já passou da hora do atual Chefe do Executivo sentar na cadeira do “sobrado azul”, sede da Prefeitura de Penedo.

Mas, é o eloquente barulho de parte dos aliados que chama a atenção. Porque a insatisfação do lado de dentro também é grande. E não se tratam apenas dos “esquecidos” pós campanha eleitoral. Mesmo os contemplados reclamam. Ressentem-se do “abandono” político-administrativo em que a cidade dos sobrados estaria submersa nesses primeiros 100 dias de governo e pela falta de um projeto claro de governo.

Contudo, há os que vêm o copo “meio cheio”. Comemoram, por exemplo, a renegociação da dívida com o INSS. A negociação de 7 das 9 pendências que mantém o nome do município penedense no Cauc (o Serasa dos municípios). E mesmo sem pagar os salários dos servidores municipais em atraso, ressaltam a regularidade dos salários desde a posse de Beltrão.

É uma visão que, de certo modo, corrobora o discurso de que nos seus primeiros cem dias de mandato, o atual Chefe do Executivo da histórica Penedo como Prefeito tem se saído um excelente Bombeiro. Nada mais.

Sem um formato e um projeto claros de Governo, Beltrão parece mesmo improvisar. Na segunda-feira (8/4), por exemplo, encerrou-se o prazo de noventa dias para que ele apresentasse aos servidores municipais um cronograma de pagamento dos salários em atraso deixados pela gestão Toledo/Saldanha. Some-se a isto, a proximidade da data-base da categoria que é no mês de Maio. Não houve resposta aos trabalhadores. Dizem que até mesmo as nomeações de apadrinhados para cargos na Prefeitura têm sido feitas sem critério. Motivo de disputa encanecida entre aliados.

O que tem, por exemplo, gerado o descontentamento velado dos Vereadores da base aliada. Só manifesto na permissão para o ataque a assessores mais graduados. A tal acareação entre a Presidente do Conselho Municipal de Educação e a Coordenadora de Educação do município é uma dessas mostras. Resultado da ausência prolongada de Beltrão da cidade dos casarões. Denunciada por opositores, ressentida por aliados.

Para jogar mais gasolina no fogo que, aqui e acolá, o Prefeito penedense se ocupa em apagar, há a suspensão das obras inacabadas iniciadas na gestão anterior. E em que pese o direito do sucessor de auditá-las, a oposição reclama que, para além disto, há a relevância e a urgência de algumas delas.

Mas, o que esperar daqui por diante de um Governo insipido, incolor e inodoro? As conversas com gente próxima a Március Beltrão também sinalizam para o que seria a “pedra filosofal” da gestão. Paralelamente ao esforço para liquidação das dívidas herdadas, Beltrão corre para preparar uma espécie de “pacotão de bondades”. O que seria? A captação de recursos federais para viabilizar um amontoado de grandes obras em Penedo. Realizações que, avaliam os aliados, fariam a gestão dar a sua grande guinada. Sair da defensiva para o ataque. Os críticos e adversários? Silenciados ante o feito.